O WordPress 7.1 chegou em 19 de agosto com uma mistura interessante de mudanças visíveis e alterações que só aparecem quando um plugin encosta nos detalhes do editor. Para quem mantém temas, blocos ou integrações, não é uma atualização para instalar e apenas conferir se a página inicial continua de pé.
O guia de campo reúne mais de 310 tickets do Core, além de centenas de correções e melhorias herdadas do Gutenberg. Três áreas merecem entrar primeiro no roteiro de testes: mídia, isolamento do editor e APIs de extensibilidade.
Imagens começam a ser processadas no navegador
O processamento de mídia no cliente é uma das mudanças mais concretas. Em navegadores compatíveis, compressão, redimensionamento, corte, conversão de formato, correção de orientação EXIF e geração de miniaturas podem acontecer em um Web Worker com WebAssembly. O resultado é enviado ao servidor já preparado.
Isso reduz trabalho no servidor, mas muda o caminho percorrido por plugins de mídia. Quando o processamento ocorre no cliente, hooks ligados ao editor de imagens do PHP, como wp_image_editors e image_make_intermediate_size, não são executados. Extensões que dependem deles precisam testar o fluxo novo, não apenas o fallback.
A compatibilidade também não é uniforme. O caminho completo usa Document-Isolation-Policy e está disponível em versões recentes de Chrome e Edge. Firefox e Safari recorrem automaticamente ao processamento no servidor. Uma política CSP muito restritiva também pode bloquear o worker se worker-src não aceitar blob:.
O editor de posts agora vive sempre em um iframe
O post editor concluiu a migração para iframe. A mudança cria um ambiente mais consistente entre editor de posts, editor do site e previews, mas expõe atalhos antigos. Código que usa o window ou o document global para alcançar o canvas pode estar olhando para o documento errado.
A recomendação do Core é partir de um elemento que já esteja dentro do canvas e usar ownerDocument e defaultView. Para listeners, o caminho indicado é associar criação e limpeza ao ciclo do elemento, evitando referências presas ao documento da tela administrativa.
Abilities, estilos e novas superfícies para extensões
A Abilities API ganhou filtros, hooks de execução, preparação de JSON Schema e uma forma unificada de indicar exposição pública. Há também uma API padronizada para registrar ícones SVG e avanços nas APIs DataViews e DataForm.
Para temas e blocos, os estilos globais agora cobrem variações responsivas, viewports configuráveis, estados de interação e sombra de texto. O ganho é real, mas qualquer plugin que gere CSS ou interprete theme.json deve conferir como essas configurações atravessam seu próprio modelo.
Um roteiro curto antes do upgrade
- Envie imagens grandes, HEIC e formatos convertidos nos navegadores suportados e nos fallbacks.
- Abra blocos customizados e metaboxes no editor, observando scripts que acessam o DOM diretamente.
- Revise CSP, integrações de mídia e hooks que esperavam processamento exclusivo no servidor.
- Confira componentes, estilos globais e dependências como jQuery UI antes de liberar a atualização.
O WordPress 7.1 empurra mais trabalho para o navegador e torna o editor mais previsível. Justamente por isso, extensões que dependem de detalhes históricos do ambiente precisam provar que continuam corretas.
